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Demanda por alimentação funcional faz público vegano e vegetariano disparar no mundo

O conceito medicinal atribuído aos alimentos é uma prática antiga e acompanha a humanidade desde que se tem registro. Além da consulta a diversos livros históricos, basta puxar pela memória que certamente virá à mente alguma receita infalível para dieta ou medicamento elaborada a partir de alimentos naturais – muitas vezes fortemente recomendada e utilizada por avôs e avós.

Para entender um pouco essa lógica, não é preciso necessariamente voltar aos primórdios da humanidade. A dobradinha medicina e dieta sempre caminharam lado a lado, mas ganharam força no período medieval, quando eram diretamente associadas a uma vida saudável. Embora bem conhecida por nossos ancestrais, essa fórmula acabou esquecida quando a medicina se profissionalizou e deixou o ambiente doméstico. 

E assim permaneceu adormecida, sufocada por campanhas de marketing e lobbies milionários liderados por grandes indústrias de diversos setores. A ciência comprova que nossos antepassados não estavam enganados. Um dos exemplos mais recentes é o estudo patrocinado pela Sainsburys, uma das maiores redes de supermercados do Reino Unido. Segundo o conteúdo, dietas não saudáveis são responsáveis por 11 milhões de mortes consideradas preveníveis no mundo, por ano. Para termos uma ideia, o número é maior do que as mortes causadas pelo fumo¹. 

Como consequência, globalmente, cerca de 70% dos consumidores estão tomando decisões relacionadas a mudanças na dieta para ajudar na prevenção de casos de obesidade, diabetes e colesterol elevado. Reduzir o consumo de sal, açúcar e gorduras trans também são considerados fatores importantes para uma dieta saudável, ainda mais se associados a uma alimentação natural que ofereça a quantidade de vitaminas, minerais e micronutrientes – fontes naturais para o bem-estar e combate a doenças crônicas.

A chegada da internet e das redes sociais turbinaram o movimento. O acesso a fontes e profissionais altamente qualificados ganhou força, impulsionando naturalmente movimentos a favor do meio ambiente e contra a exploração dos animais. Os números não deixam dúvidas. De acordo com a Associação Vegetariana Portuguesa, o mercado de alimentação para este setor cresceu 500% nos últimos 10 anos - uma tendência observada em toda a Europa.

Ainda sobre o mercado português, dados recolhidos e analisados pela Associação Vegetariana Portuguesa em conjunto com a HappyCow, mostram um forte crescimento nos últimos dez anos. O mesmo estudo mostrou que o número de estabelecimentos veganos aumentou ainda mais consideravelmente, em cerca de 3000% no mesmo período.

Fenômeno mundial

Nos Estados Unidos, segundo o Instituto Harris Interactive, grande parcela dos americanos está consumindo refeições vegetarianas mais frequentemente. Quase metade dos entrevistados (48%) diz consumir refeições veganas semanalmente.

O Brasil, por sua vez, segue o mesmo ritmo. Uma pesquisa divulgada pelo Ibope, em abril de 2018, mostrava que 14% da população brasileira se declara vegetariana. Nas regiões metropolitanas como São Paulo, Curitiba, Minas Gerais e Rio de Janeiro, esse percentual chega a 16% - o dobro em comparação a 2012, quando o mesmo estudo mostrou que 8% dos entrevistados se declaravam vegetarianos. 

No estudo da Sainsburys, James Wong, biólogo especializado em plantas, corrobora a opinião de crescimento no interesse global por uma alimentação com benefícios na saúde. Há ainda um grande fator ambiental, passional e até mesmo técnico que ajuda a impulsionar a demanda. A expectativa de crescimento da população mundial para algo em torno de nove bilhões de pessoas nos próximos 30 anos deixa claro que não será economicamente sustentável produzir e consumir a mesma quantidade de carne que observamos nos dias atuais.

Atualmente, um europeu médio consome 80 quilos de carne por ano, enquanto norte-americanos e australianos comem 110 quilos de carne anualmente². Se a população que hoje não consome carne na mesma proporção aumentar sua demanda por carne, a conta simplesmente não vai fechar. A situação é tão crítica que países como Alemanha, Dinamarca, Suécia e China já discutem há algum tempo a possibilidade de implantar uma ‘taxa do pecado’ para consumidores de carne, cujo propósito é reduzir a demanda por carne em até 45%³. 

O fato é que a mudança no mercado de alimentação deixou de ser apenas um clamor racional e passional dos ativistas veganos e vegetarianos. Os dados mostram um mercado mais do que amadurecido, com uma demanda robusta e em pleno crescimento. O retorno econômico, ambiental e na saúde é certo.

Fontes: 
¹Food in the Anthropocene: the EAT–Lancet Commission on healthy diets from sustainable food systems (January 2019). 
²UN Food and Agriculture Organisation / OurWorldinData (a joint project between Oxford Martin and Global Change Data Lab)
³ https://www.fairr.org/article/meat-tax-inevitable-beat-climate-health-crises-says-report/ 
 

* Por Victor Sanches, campaigner da SVB

 

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